Porto Alegre e Serra Gaúcha nos Festejos do Aniversário da Van


Eu comecei a escrever esse texto lá no blog do Tá na mesa. Minha ideia era escrever rapidinho sobre nosso molho de tomate, mas ai acabei que escrevi sobre a nossa viagem de Abril, para comemorar o aniversário da Van. Ai resolvi trazer o texto para cá e deixar só a receita do molho de tomate lá, que faz muito mais sentido. Então lá vai o texto:

***

Faz um certo tempo que eu e a Van estamos evitando ao máximo consumir ultraprocessados. Num primeiro momento eu achei que seria bastante fácil, porque faz tempo que temos cozinhado em casa, então você pensa que come pouco dessas coisas. Mas quando você vai ver o rótulo das coisas, você fica chocada com o tanto de comida que você acha que é comida, mas não é.

Bom, viajamos a Bento Gonçalves esse ano, no Aniversário da Van. Na verdade fomos a Porto Alegre, ficamos no AP da Frei Germano, mas, como nós somos nós, acabamos esticando para a Serra. Alugamos um carro na localiza do Aeroporto (até tentamos alugar um carro que não fosse Jeep, mas não deu certo) e curtimos uma noite e uma manhã em POA antes de partir pela estrada afora. 

Na nossa primeira noite (eu juro que até o final desse texto eu volto para o molho de tomate) comemos um xis da tia lalá bem gostoso e no dia seguinte tomamos um café em Porto Alegre de respeito, na Barbarella Bakery. Depois desse café da manhã pegamos a estrada rumo à Serra. Nosso objetivo: assistir o jogo do Carlos Barbosa em CB. 



Primeira parada foi em Garibaldi, cidade que já tínhamos ensaiado conhecer melhor várias vezes mas não tínhamos tido a oportunidade ainda. Em Garibaldi fomos direto para o habitual: Vinícola Peterlongo. Chegando lá, tentamos visitar, mas não tinha horários. Demos uma voltinha pela lojinha e acabou nos dando um estalo: será que a gente quer fazer de novo um tour de vinícola? Eu tenho certeza de que no futuro ainda vamos visitar muitas vinícolas, principalmente se viajarmos para Itália, Chile, Mendoza, França de novo, porque é sim um passeio super legal, mas nesse dia achamos que nossa pegada era outra. Fomos embora e achamos um lugar da hora para almoçar. 



No centro de Garibaldi, achamos um lugar chamado Churrascaria Angelo´s. Zero pretensão no lugar, apesar desse "´s". Um lugar bem tranquilo, à la churrascaria do chico, mas bem mais gostoso do que a churrascaria do chico atualmente. Comemos muito bem e saímos de lá de pancinha cheia. 


Resolvemos então rumar para Carlos Barbosa já com uma idéia na cabeça: não haveria programa melhor para a tarde daquele dia do que tirar uma boa soneca. 

Chegamos em CB onde achamos um IBIS. Tinhamos consultado a tarifa on line e no Balcão ela estava mais cara. Demos uma chorada/encrencada com o atendente e ele conseguiu nos ofertar o desconto da Tramontina. Então ficamos la por um preço super acessível. 

O Ibis de CB é uma graça, melhor que muito Hotel de grife teoricamente mais nobre que já ficamos. Dormimos uma bela soneca até que, lá pelas tantas, eu acordei e fui fazer o que eu mais gosto: Caminhar pela cidade. A Van ficou dormindo no hotel e eu me escafedi para caminhar por CB. 

Caminhei respeitáveis 5km, ouvindo o episódio sobre o documentário da Xuxa no Cinemático. Eu falei com a Van esses dias, como é engraçado a memória sonora das coisas. Existem trechos que eu passo na rua, por exemplo na paes de barros, que me ativa a memória do podcast que eu tava ouvindo aquele dia. Enfim, me lembro de CB e me lembro do cinemático sobre o documentário da Xuxa.



Voltei pro Hotel, tomei um banho gostoso e acordei a Van para irmos ao jogo do Carlos Barbosa. O Jogo foi da hora e o Carlos Barbosa goleou o time de São Borja naquele dia. Uma coisa engraçada foi que a Van queria comprar um camisa do União São Borjense, que eles estavam vendendo na camufla, num cantinho lá perto da arquibancada deles. A camisa custava quase 200 mangos e a gente tava super contando os centavos nesse viagem. Quando o moço mostou a camisa, gente, que feia, feia de dar dó. Eu consegui olhar pra Van, que captou o sinal e teve um momento de genialidade pergutando se o moço aceitava uma forma x lá de pagamento que ele não aceitava. Falamos que voltariamos depois e não voltamos nunca mais.




Depois do jogo estava bem frio e resolvemos conhecer uma pizzaria de lá. Amamos. Engraçado que eu estou escrevendo aqui e a Van não lembrava que nos adoramos a Pizzaria kkkk, mas sim nós amamos. É que nós não comemos a pizza: Nós pedimos uma Burrata de entrada que era bastante bem servida. Tomamos uma garrafa de vinho, comemos a burrata e partimos direto para a sobremesa. Voltamos para o Hotel onde dormimos lindamente. O nome da Pizzaria, para não esquecer, era Frasca Pizzaria Napoletana. 




No dia seguinte também tinhamos planos: Ver o jogo do Juventude contra o Athletico Paranaense em Caxias do Sul, no finalzinho do dia. Achamos que seria uma boa oportunidade dar uma passada em Bento, para dar um passeio e almoçar.

Em Bento fomos direto para os Caminhos de Pedra. Nós queriamos ir na Casa das Cucas, comprar aquelas cucas maravilhosas para trazer pra São Paulo, mas antes eu quis muito passar na Casa do Tomate, porque eu já estava pensando que queria melhorar o nosso molho de tomate. Eu cismei que o tomate pelado da latinha não era bom. Depois eu descobri com a Rita Lobo que tomate pelado na latinha é considerado um alimento minimamente processado e que o extrato de tomate tbm está na categoria comida de verdade. Mas eu fico feliz pela minha confusão, porque foi gracas a ela que começamos a fazer nosso molho de tomate maravilhoso a partir do tomate que é top. 

Enfim, na Casa do Tomate aprendemos coisas muito legais sobre os Caminhos de Pedra. A casa do tomate é a primeira casa de pedra e foi o dono da casa do tomate, que é também dono da casa da ovelha, que convidou seus vizinhos a criarem aquela rota turistica. Foi muito bom. 

Compramos la um molho de tomate zero industrializado mas nao foi muito gostoso comer ele em sampa. Foi ai que a Van botou pílha da gente fazer nosso próprio molho a partir do tomate e deu certo. 

Mas voltando à viagem, depois de ir na casa do tomate, demos aquela passada na casa das cucas, onde compramos umas duas ou três cucas de abacaxi e doce de leite, nossas favoritas e resolvemos almoçar em Bento mesmo, porque estávamos com fome. Achamos um restaurante muito bom, chamado Nona Ludia. Eu to pensando aqui com os meus botões e eu acho que foi dica do pessoal da casa do tomate, porque o Nona Ludia é uma das casas de pedra e tem uma história super legal, porque ao lado do restaurante tem uma árvore grande, com um buraco enorme no tronco, que serviu de moradia por ANOS para a família que viria no futuro construir a casa que hoje é o Nona Ludia.



Como todo restaurante badalado, o Nona Ludia tinha fila de espera. Nisso a Van tava congelando, então resolvemos que tínhamos que comprar um casaco. Deixei ela na fila do restaurante e parti rumo ao Shopping de Bento Gonçalves, atrás de um casaco. 

Cheguei lá, estacionei o carro e fui bem faceira no Shopping. Só que adivinha: Domingo, cidade pequena, TUDO fechado. Sejamos justos: se fosse em São Paulo também estaria tudo fechado, pois as lojas do shopping de domingo só abrem as duas, mas só na minha cabeça mesmo que ia dar certo comprar roupa no shoppinhg domingo de meio dia em Bento Gonçalves. 

Saí bem triste do Shopping quando eu avisto, aberto, do outro lado da rua, uma Lojas Pernambucanas. Corri la e achei dois casacos muito bons e meia estação (quando eu digo meia estação quero dizer adequado para o frio do Brasil) para mim e para a Van. A van não gostou muito que eu comprei um casaco para mim também, porque a ideia era comprar só para ela, mas foi a melhor coisa que eu fiz, pq hoje é meu melhor casaco e custou só 150 reais. Mais barato que a camisa feia do União São Borjense.

Bom, cheguei no Nona Ludia e a Van já estava me esperando na mesa. Comemos uma gostosa sequencia de galeto, com Cappeletti de entrada e galeto entremeado com rodizio de carnes e massas. Nota da Didi: 8,5. É muito bom, mas eu já comi melhor. Mas foi um ótimo almoço, acho que fomos mais felizes lá do que seriamos no Alvorada, em Caxias, que era o plano B. 

De barriguinha bem cheinha e quentinhas com nossos novos casacos, partimos para Caxias do Sul. Chegamos lá num típico dia caxiense, aquele céu de chumbo, dia bem gelado. Encontramos onde estacionar o carro perto do Jaconi e descobri que estávamos do ladinho da rodoviária. Fiz questão de levar a Van a pé para conhecer a rodoviária, afinal são muitas lembranças daquele lugar, eu peguei muito ônibus naquela rodoviária quando estudava em Caxias, na época do movimento estudantil. A Van sempre acha meio esquisito esses meus roteiros turisticos na vida cotidiana do passado, mas como ela me ama ela foi e ouviu eu contar tudinho pra ela, pacientemente. 

Voltamos pro Jaconi, onde tinha uma turma bem grande de torcedores do Juventude na rua, bebendo, comendo churrasco, batendo bumbo, essas coisas. Vi vários adesivos colados nos postes das imediações do estádio que exaltavam a importância do Ju. Coisas do tipo: "Viva o interior, vá ao estádio". E "Anti-grenal". Achei bem bacana. 

Fomos pro jogo e tudo começou bem, com o Ju abrindo 1x0. Descobri que o Nenê, ex-vasco, é o craque do Juventude. Jogador experiente, passou por clubes importantes, acaba sendo importante. O técnico também, vale registrar para a História, era o Roger Machado. Continua sendo até o dia de hoje, ainda não caiu e o Juventude faz uma campanha até que OK na série A, até o momento. 

Bom, infelizmente o Athlético empatou e o jogo acabou 1x1. Mas foi uma ótima experiência, a arquibancada do Jaconi é colada com o campo, dá para ver os jogadores bem de pertinho, super legal. 

Uma coisa para lembrar para a posteridade é que a arquibancada visitante não é coberta. Pensar duas vezes antes de ir no Jaconi com a torcida visitante no inverno. 



Ah, uma outra coisa é que vimos um treta de torcidas. Não sei o que houve mas uns torcedos do Athletico ficaram provocando o pessoal do Juventude pela grade e ai a organizada que estava no extremo oposto conseguiu passar e foi la tirar satisfação bem de pertinho. Os seguranças contiveram e nada aconteceu, mas a Van já me deu instruções bem claras de que era pra correr embora se desse ruim, então eu fiquei de antena ligada só cuidando para ver se ia ter que fugir. Deu medo que eles tivessem acesso a onde a gente tava, pq o estádio é redondo e se desse pra eles passarem para onde estava a organizada, acho que não era dificil que chegassem até onde nós estávamos. 

Bom, terminado o jogo, sem tragédias, era hora de voltar a Porto Alegre. Pegamos a estrada no comecinho da noite e lá pelas 21h, 22h chegamos de volta na Frei Germano, onde dormimos. Dia seguinte era dia de voltar para São Paulo.


No dia seguinte nossa principal preocupação era devolver o carro na localiza. Isso porque eu não contei lá em cima, mas no dia em que fomos tomar café da manhã em Porto Alegre, nosso carro sofreu uma pequena lesão, bem na testa. Foi assim: estávamos saindo da garagem lá do prédio da Frei Germano, bem felizes, iniciando nossa viagem, quando tinha um vizinho saindo (ou entrando, não lembro) na mesma hora. Ai ele deixou o portão aberto e resolvemos atravessar. Não é que o portão começa a fechar bem na hora e pá, meteu uma ponta que ele tinha bem nos zoio do nosso carro? Ainda bem que foi na lataria, porque se fosse no vidro tinha quebrado. 

Bom, quando fomos fazer a inspeção no carro constatamos que nada tinha acontecido (pensamos que tinha amassado e arranhado tudo) exceto um amassado circular e profundo, bem na testa do carro, como a marca de Caim, da biblia e do livro do José Saramago. 

Ficamos bem chateadas, afinal, era uma viagem de economia e pagar funilaria para o carro não estava nos nossos planos. 

Esquecemos, na medida do possível tudo aquilo, mas na hora de entregar o carro ia ser a hora da verdade. A van saiu de perto na hora da vistoria do carro, porque ela disse que nessas situações ela se denuncia. Ai fiquei eu, bem blasé, esperando o moço vistoriar. Esse moço olhou detalhe por detalhe de dentro do carro, das rodas, do para-choque, da lataria lateral, da frente e de traz, olhou o vidro da frente do carro por dentro do carro e graças ao nosso anjo da guarda não olhou para cima em momento nenhum. Não viu a marca de Caim. Deu baixa no contrato, agradeceu, desejou boa viagem e eu segurando a cara blasé. 

Quando chegamos em São Paulo ficamos pensando, eles ainda podem perceber a qualquer momento e mandar a fatura. Só que aconteceu uma coisa: A maior tragédia da história do Rio Grande do Sul. Foi a segunda vez esse ano que a gente volta de viagem um dia antes do mundo acabar. A primeira foi na Argentina, que a gente conseguiu fazer a nossa viagem durante um Oásis climático, entre chuvas e cancelamentos de voos na ida e na volta. Em Porto Alegre, nós chegamos na segunda-feira. Na terça, começou a chover, inundou o estado, fechou os estádios de futebol, o aeroporto, a rodoviária, desabrigou meio mundo, cavalo foi parar em telhado de casa, enfim, a maior tragédia da história do Rio Grande do Sul. 

É muito triste pensar em tudo que aconteceu na nossa terra com essa chuvarada toda, mas eu admito que a primeira coisa que eu e a Van comentamos quando a gente viu as chuvas na televisão, bem no começo da catástrofe toda, é que se achassem o bendito buraco na testa do carro, provavelmente ele ia ficar na conta do desastre.

Bom essa foi nossa viagem para o Rio Grande do Sul. Para finalizar essa postagem, vou colocar lá no blog das receitas a receita do molho de tomate que estamos fazendo em casa, o grande legado essa aventura toda, além, é claro, das memórias deliciosas. 

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