O Rio de Janeiro continua lindo!


Fomos para o Rio de Janeiro no comecinho do mês passado. Essa viagem começou a ser sonhada em uma viagem anterior que eu não contei por aqui (é, estou bem atrasada com o blog, tanta coisa pra contar...), quando fomos para o Rio com sogrinha e sogrão ver Palmeiras x Fluminense no Maraca. Foi uma viagem deliciosa: A Van foi de carro com a companhia do Zé e da Dona Matilde e eu fui mais tarde, de avião, por causa do trabalho. 

Cheguei à noite, bem pertinho do jogo, com direito a ter visto o maraca todo iluminado da janela do avião. Infelizmente não deu tempo de tirar foto. Encontrei todo mundo no Hotel e seguimos pro Maraca com um taxista muito simpático, que nos contou que vem direto pra São Paulo ficar na casa de uma conhecida aqui na Mooca, pertíssimo da nossa casa. Ele disse para cuidar os taxis dele na rua: um preto e um amarelo tradicional do rio. De fato, esses dias saindo de casa, eu vi um taxi amarelo do rio passar aqui na frente. Devia ser ele. 

Bom, no maraca nos divertimos muito, apesar do palmeiras ter perdido. Vale dizer que o Zé ficou lindão com a camisa do palmeiras que eu emprestei para ele. 




No dia seguinte, antes de voltarmos para casa demos um belo passeio pela cidade. A Van nos levou do centro até botafogo, depois pra gávea, depois para a lagoa e depois ainda fomos pra Niterói, enfim, fizemos um belo tour de carro e percebemos como a cidade tem coisa para ver. Sai de lá com uma encomenda: Arrumar um hotel em um lugar melhor para voltarmos e aproveitarmos mais a cidade. 

Acho que cumpri meu dever de casa direitinho: achei um hotel maravilhoso em Copacabana, onde passamos deliciosos quatro dias na primeira semana de Setembro. Fomos no final de semana anterior ao 07/09, pois eu trabalharia nos dias 08 e 09/09, o que infelizmente nos fez perder a festinha de aniversario do Lucas, da Denize, o que foi uma pena, mas nos divertimos muito mesmo assim e a viagem foi inesquecível. Realmente o Rio de Janeiro não merece ser tratado como uma ponte aérea banal, só porque a gente vive lá a trabalho ou pra um bate volta por qualquer motivo. É uma cidade muito legal, que merece ser melhor aproveitada. Como Gramado, por exemplo. 

Nosso Hotel de chamava Windsor Copacabana e ficava na Avenida Atlântica, de frente para o mar. Outra coisa legal: Ao lado do Copacabana Palace. Passei muitas vezes por ali e relembrei muitas vezes a viagem que fiz com o pai e com a mãe, quando eu tinha nove anos. Naquela viagem nós tentamos jantar no restaurante do Copacabana Palace, mas nós não pudemos pois eu não pude entrar já que estava de tênis. É uma situação bizarra, porque eu tinha nove anos. Se eu não estivesse de tênis, estaria de chinelo :-), então acho que foi bastante absurdo. Mas enfim. Virou uma história. Naquela noite eles nos serviram na piscina, jantamos lá e na saída, passamos pelo hall do hotel. Era 1994 mas já haviam reservas para o Réveillon do Milênio, porque nós perguntamos na recepção. 

Daquela viagem eu lembro também de ter ido com a mãe no Museu Imperial e no Catete. Eu tirei uma foto na janela do Fico (o que alias, era proibido, mas mãe me meteu lá e tirou a foto) e vi o pijama listrado do Getúlio, com o buraquinho da bala e tudo. Foi uma viagem muito legal, acho que das coisas mais legais que eu já fiz com a minha mãe. E lembro também que achamos uma loja de fitas de vídeo game para master system e eu comprei dois jogos lá. Lembro também que ficamos em um hotel 3 estrelas em Copacabana e lembro que comíamos quase todo dia num restaurante de um garçom português, bem ali pertinho. Eu, como sempre, comia sorvete de creme. 

Bom, voltando para 2023, fomos para o Rio e chegamos numa sexta à noite, para ficarmos até segunda (eu) e terça (a van, que tinha uma palestra do Itaú para dar). 

Nosso hotel era muito bom e tinha uma curiosidade: praticamente as únicas pessoas que não eram gringas éramos nós e o staff do hotel. Tinha muito turista, muita gente falando inglês, espanhol, italiano... um torre de babel. 




O quarto era muito bom, sem hidromassagem, mas com uma cama bem gostosa e vista para o mar. O café da manhã era bem gostoso e tinha tudo que a gente costuma comer. Ao lado do Hotel tinha um restaurante de esquina muito bom, onde comemos duas vezes e onde assistimos Palmeiras e Corinthians pela TV, que terminou zero a zero. 

Para esta viagem tínhamos combinado de contratar um guia de turismo. Contratamos o Professor Marcão, depois de pegar algumas referencias dele. 

A ideia original era ter um guia para nos apresentar o centro histórico e contar sobre ele. Como o Professor Marcão é professor de história, achamos que não poderia haver companhia melhor. Infelizmente, nosso roteiro acabou desprivilegiando o centro histórico, que basicamente não foi realizado. Uma pena. Vai ficar para uma próxima vez e muito provavelmente para uma próxima guia, pois a Van conheceu uma moça na palestra que trabalha como Guia Turística. 

Nossa primeira parada com o Professor Marcão foi no Cristo Redentor. Uma coisa legal que aprendemos enquanto íamos para lá é que o cristo é cercado pela floresta da tijuca, que foi replantada a mando do Dom Pedro II. O Professor Marcão nos explicou que o Dom Pedro II era bastante inteligente e que percebeu a importância da Floresta para o clima e para a prevenção de enchentes na Cidade do Rio de Janeiro. Aquela região havia sido desmatada para fins de agricultura, pelo que entendi, de café. 



Outra coisa legal é que a base do Cristo, onde tem a lojinha e o mirante, era um Hotel, também construído pelo Dom Pedro II. Até determinado ano a Seleção Brasileira ficava hospedada naquele hotel, que com o tempo foi ficando obsoleto e perdendo espaço para outros endereços do Rio. 

Lá de cima é bacana também para aprender sobre os morros do rio. Eu lembro agora do Corcovado, que era o morro onde estávamos, do morro da Urca, do Morro dois irmãos e da pedra da gávea, que são algumas das maiores altitudes do Rio. Nós pudemos ver esses morros ao longo de nosso passeio de outras perspectivas, o que foi bem legal. Lá de cima aprendemos também que arpoador é uma área onde eles encurralavam as baleias para matar e extrair o óleo no passado.




Depois do cristo fomos para o Pão de Açúcar. Uma coisa meio bizarra que eu descobri com o Professor Marcão é que em determinados horários a espera para subir no cristo e no pão pode ser de mais de 4 horas. Por isso é importante fazer esses endereços cedo e preferencialmente fora dos períodos de pico turístico (Ex: Temporada dos cruzeiros). 

No pão foi muito legal ver os bondinhos que estão fora de operação. O professor Marcão nos contou que a única vez que um bondinho caiu foi no filme do James Bond e de mentirinha. Lá de cima, a vista é linda e pudemos aprender um pouquinho sobre a fundação do Rio e sobre os Tupinambás. A área indígena era a área de maior formação do Professor Marcão, então ele nos contou muitas coisas sobre isso. 






Do pão já estávamos morrendo de fome e graças a deus fomos comer. Um detalhe, nós fizemos todo o trajeto de taxi, com o Professor Marcão e com o Motorista Juarez, que era muito simpático. Lembrando do taxi, me lembrei de algo que aprendemos no caminho: a cidade do rio precisou atravessar vários morros para existir, pois isso volta e meia na cidade a gente passar por entre vários paredões que são justamente esses "cortes" no meio da pedra. Tem um nome isso, vou tentar lembrar e atualizar aqui no futuro. 

Eles nos levaram num restaurante bem gostoso, cheio de opções. Tomamos uma cervejinha e comemos uma bela feijoada carioca. Deliciosa mesmo. Eu voltaria lá. Era um restaurante tipo Buffet, dum senhor italiano careca, que tinha MUITA opção de comida, mas muita mesmo e dava vontade de comer tudo. Só não era lá muito barato, era 70 reais o quilo, então não era assim nenhuma barbada, mas não podemos nos queixar de ter comido mal. 

Bom, a tarde, estávamos programadas para ir no Centro Histórico mas o Professor Marcão propôs uma inversão. A essa altura já tínhamos nos comprometido com ele de esticar o passeio para o domingo de manhã também, então ele propôs de deixar o centro histórico para o dia seguinte e ir no museu do Maracanã no turno da tarde. Como diz a Van, o golpe tá ai, cai quem quer. E caímos, porque foi isso que acabou fazendo com que não conhecêssemos o centro histórico do rio. 










É sempre legal ir no Maracanã, por tudo que ele significa, mas preciso confessar: achei o museu uma decepção, um exemplo do descaso que se tem com o turismo no Brasil. O que tem lá: umas bolas e um monte de pé de atleta, em um tipo de calçada da fama. Você compara o museu do maracanã (o maior templo do futebol do planeta terra!) com o Museu do Futebol do Pacaembu e simplesmente não tem comparação. É bem pobrinho mesmo. 

Bom, depois disso voltamos para nosso hotel. A van foi descansar e eu dei uma boa caminhada pela praia, molhei o pezinho no mar, fiz meu banho de sal grosso, pedi coisas boas pro papai do céu e deixei o mar levar tudo que fosse zica. Foi muito bom. 

No dia seguinte, fomos a dois lugares lindos. 

O primeiro mora no nosso coração para o resto da vida e com certeza iremos voltar para ir novamente: O jardim botânico. 

Senhoras e senhores, que lugar. Lindo de morrer. Vale um dia no Jardim botânico. Eu não tenho nem palavras para explicar esse lugar. Vou deixar as imagens abaixo falarem por si. 




Na verdade, vou querer falar uma coisa sim, sobre essa escultura que vimos na entrada do Jardim. Se chama "La Danse" e honestamente, é de tirar o fôlego. Achei um textinho bem legal explicando um pouco mais sobre essa escultura, vou colocar abaixo para nunca esquecer. O professor Marcão nos contou que já ouviu muito guia falando besteira por ai e uma das que mais doeu o ouvido foi dizer que essa escultura representa os índios. Não tem nada a ver. A escultora retratou um quadro de Matisse e doou essa obra ao jardim. Saca só a história:

"Histórico - Escultura em fibra de vidro, reproduzindo em três dimensões o famoso quadro de Henry Matisse, pintor fauvista francês, exposto no Museu Hermitage em São Petersburgo, Russia. Doada pela artista ao Jardim Botânico em setembro de 1998. Alice tem obras expostas em Nova Iorque, Hiroshima, São Francisco, Rio de Janeiro, Praga, Dublin, entre outras cidades

Escultora - As esculturas de Alice Pittaluga lidam com o movimento. "Na verdade, essas peças querem nos repor no instante congelado e tenso em que determinado movimento encontra o repouso", explica Luiz Camillo Osório. Alice Pitalluga, acompanhando o marido diplomata a várias partes do mundo, teve que se adaptar a estar constantemente em movimento. As viagens, a dança - grande fonte de inspiração - o Japão e Matisse são influências claras na sua obra. "Não é por acaso que sua escultura ganhou fôlego no período em que viveu no Japão. A delicadeza e a intensidade que dão vida própria aos gestos dos japoneses, foram assimilados pela escultora. Last but not least, o encantamento da pintura de Matisse foi-lhe fundamental", completa Camillo Osório. Alice Pitalluga começou a esculpir em Nova Iorque, onde morou em 1980. Lá mesmo, desde a década de 60, havia estudado desenho e pintura no Arts Students League, com os grandes mestres Marshall Glasier e Howard Trafton. Foi Glasier, com quem desenhou vários anos, que enxergou nos seus desenhos o talento para a escultura. Mudou-se para o Japão em 1987, levando na bagagem a escultura "Súplica de Paz", em homenagem às vítimas de Hiroshima. Em Tóquio participou de uma competição e foi selecionada, com esta peça, para o Memorial da Paz da cidade de Hiroshima. Essa escultura, em tamanho natural, foi inaugurada oficialmente no novo museu, aberto ao público em 1995. Também em Tóquio, onde morou cinco anos, fez uma exposição individual na Galeria Taimei, de Ginza, onde expôs seus bronzes em 1989. Em 1990, ainda em Tóquio, durante a últimas temporada de dança da companhia Martha Graham, foi selecionada com uma escultura, para ser doada à bailarina e coreógrafa pela comunidade americana no Japão. Essa escultura se encontra atualmente no Lincoln Center de Nova Iorque. Ainda no Japão, Pittaluga teve seus trabalhos incorporados às coleções de vários museus, bancos e sedes de companhias internacionais, como o Banco de Tóquio, Daichi Kangio e Fuji Xerox. Em Praga, para onde Alice Pittaluga se mudou depois que deixou o Japão, continuou seu trabalho com peças em bronze. Impressionada pela pintura " La Danse", de Matisse, que viu em Paris na retrospectiva que trazia pela primeira vez o quadro de São Petersburgo, criou sua versão, em bronze, desse ícone da arte moderna. Fonte"


Isso aqui é bem legal também. Uma palmeira plantada por Dom João VI que viveu até ser fulminada por um raio em 1972. E que depois foi substituída pela Palma Filha. É um mistura de história com beleza natural que não tem explicação.


Esse é o professor Marcão. 



Vitória Régia gente. Nunca tinha visto. Coisa mais linda. 


Isso aqui é uma loucura também. Uma jaqueira de 198 anos, prenha de vida, dando jaca até hoje. De arrepiar todos os cabelinhos do braço. 


Olha o macaquinho!




Uma coisa legal que aprendemos na saída do Jardim Botânico com o Professor Marcão foi a história do nome da favela da rocinha. Em uma pracinha que fica bem ali perto do Jardim, havia uma feira. A rocinha era originalmente uma fazenda e em algum momento de sua historia acabou sendo loteada. Os novos moradores de lá começaram a produzir gêneros alimentícios e desciam o morro para vender nessa feira. Quando as pessoas perguntavam de onde eram aqueles alimentos as pessoas diziam "ah isso é lá da minha rocinha". Assim teria surgido o nome da comunidade. Dei um google aqui para dar uma confirmada nessa história do professor Marcão e é isso mesmo. A rocinha, que fica entre a Gávea e São Conrado, naquela região, é originária do loteamento da antiga Fazenda Quebra-Cangalha. 

Bom, a essa altura do campeonato a gente meio que já não aguentava mais o Professor Marcão. Coitado. Nós gostamos muito dele e assim, eu preciso ser muito justa com ele com o fato dele não ter nos ensinado NADA errado (pq eu fui conferir quase tudo depois e o que eu achei que ele tava errado, na verdade eu é que estava) e dele ter cumprido um papel dentro da nossa viagem. Mas é cansativo ter um ser humano sempre matracando na sua orelha, coitado, apesar de ser o trabalho dele. E na verdade, ele nos perdeu esse dia pq ele desandou a falar sobre umas coisas pessoais que não nos interessava em nada. Então estávamos meio cansadas e na saída do Jardim já demos um toque nele de que o passeio tinha que acabar meio dia dia, porque queríamos curtir a nossa tarde a sós. 

Do jardim fomos para vista mais maravilhosa que eu ja vi na vida, que é o mirante do leblon. Meu deus. Olha só isso. Eu passaria a tarde ali. Alias, próxima vez que formos para o Rio com orçamento frouxo vou ver um hotel no Leblon. 







Depois de tomar uma água de coco por lá, seguimos rumo ao centro histórico, isso já era umas 11h. No caminho fizemos uma parada super legal na estátua do Cazuza e fomos para a Catedral Metropolitana. A Catedral foi o único lugar do centro que visitamos de fato. 





A coisa que eu achei mais legal na Catedral foi essa escultura de cristo deitado no banco da praça, fazendo aquela representação da história mendigo que você despreza mas que pode ser jejus, etc. A escultura é tão perfeita que até chegar bem perto eu achava que era mesmo uma pessoa dormindo ali. 

Na Catedral o professor Marcão nos perdeu um pouco mais pois ficou fazendo apartes sobre catolicismo e cristianismo, obviamente um movimento que ele faz pq com certeza recebe um monte de crente como turista, mas como a gente tem muita fadiga disso, nos irritou um pouco. Mas é linda a Catedral. Pena que já estávamos tão cansadas e com fome. Eu quase não consegui ficar de olho aberto no carro quando saímos de lá. 

Depois disso demos uma passeio bem breve de carro e passamos pela praça XV, mas tudo tão rápido que nem foto eu tenho para mostrar (acho que tem no celular da Van). 

Professor Marcão nos deixou no Shopping Botafogo onde tentamos almoçar mas a fila para o restaurante que tem uma vista bonita da orla estava bizarra. Sorte nossa. Voltamos para o Hotel e almoçamos no restaurante ali do lado e comemos MUITO bem, uma típica comida de bar no rio de janeiro com um baldinho de cervejas estupidamente geladas como manda o figurino. Ainda vimos o jogo do palmeiras da TV do bar. Voltamos para o hotel só no finalzinho da tarde. 

No da seguinte trabalhei de lá, sentada na cadeira do quarto ao lado da janela, com aquela vista maravilhosa do mar e da praia. Deu meio dia, almoçamos no nosso bar da esquina novamente e pouco tempo depois parti para o Aeroporto. Adivinha quem me levou? O professor Marcão, que além de professor universitário e guia turístico é também taxista. E foi excelente, pq ele fez preço de taxímetro, justíssimo, me levou direitinho pro aeroporto e eu deixei o Rio feliz da vida, ainda que morrendo de saudades da cidade maravilhosa e do meu amor, que só voltaria para casa no dia seguinte. 

E esse foi o fim dessa viagem encantadora, que deixou uma marca bem carimbada no meu coração. Espero voltar e poder finalmente conhecer o centro histórico e passar um dia inteiro no Jardim Botânico curtindo tudo com um pouco mais de calma. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

#Vamos Verdão - Palmeiras 3 x Fortaleza 0 (17.05.2023)