Mi Buenos Aires querido
Em Março/24 formos para Buenos Aires. Foi uma viagem que quase não aconteceu. A história dessa viagem começa em 2023, quando o Palmeiras iria enfrentam o Boca Juniors na semifinal da libertadores.
Na época estávamos indo para o Rio de Janeiro, viagem já contada por aqui. No avião mesmo eu resolvi que a Vanessa devia ir ver o jogo e tentei comprar a passagem para ela mas não consegui.
Chegando no Rio executei a transação, lá do nosso hotel de Copacabana. Comprei a passagem e disse, meu bem, você vai pra Buenos Aires. E tenho dito.
Voltando para São Paulo fui na CVC, comprei hotel e passeios, bem como traslados e estava tudo 100% ok e planejado para a viagem da van rumo à glória eterna em terras portenhas. Porém os deuses do futebol não colaboraram com a gente dessa vez.
Primeiro problema enfrentado: ingresso. Os ingressos do jogo esgotaram em cinco minutos. Não conseguimos ingressos nem com reza brava. E no fim das contas o Palmeiras perdeu de 1x0, golzinho que sacramentou a nossa desclassificação no jogo de volta.
Bom precisei cancelar as passagens e foi ai que eu descobri que quando você cancela passagem de milhas você perde as milhas. Um prejuízo danado. Nunca mais.
E deixei a CVC em stand by para aproveitarmos a viagem esse ano, quando eu me incluiria nos planos para ir junto.
Acontece que em 2024 aconteceu "A grande pindaíba do milênio". E ai tudo ficou mais complicado.
Cá neste ano da graça do senhor de 2024, não está muito propício gastar dinheiros, por diversas razões não divertidas que eu não vou detalhar pois este é um blog divertido. O que importa é que tentamos muito (mas muito) cancelar novamente essa viagem.
Depois de muito auê, eu percebi que o prejuízo com o cancelamento ia ser bizarro. E ai eu falei pra Van "amor, vamos. Vai ser pior não ir". E ai nós fomos.
Chegando em Buenos Aires tínhamos dois desafios: O primeiro financeiro. Tínhamos que sobreviver com o dinheiro de papel sacado no Brasil, reforçado por alguns dólares que sobraram da nossa lua de mel, pois estava fora de cogitação usar nosso cartão de crédito. O segundo desafio, moral. Tínhamos o dever para com nós mesmas de retirar a nhaca da nossa última (e primeira) viagem juntas para Buenos Aires, que não foi nada legal.
Vou dedicar umas poucas linhas a contar sobre a nossa ida anterior a Buenos Aires. Nós também quase não fomos (será um padrão?) porque eu perdi o meu RG 24h antes de embarcar. Quando já tínhamos desistido da vida eu achei. Chegando lá, no aeroporto mesmo eu e a van nos desentendemos e ficou um clima bem chato a viagem toda. Enfim, não foi legal. As únicas coisas boas daquela viagem foram o Don Julio, os quadrinhos que compramos no Caminito que temos até hoje na parede de casa e o fato de termos ido na Esquina Carlos Gardel, esse templo do tango que infelizmente (e para minha total incredulidade até hoje) fechou na pandemia. Ah, e claro, conhecer o Monumental e o Museu do River. Foi incrível essa parte também.
Bom, fomos para Buenos Aires. E posso dizer que cumprimos todos os nossos objetivos com louvor.
Falemos da parte financeiro. Fizemos o milagre da multiplicação dos pesos e gastamos apenas 300 reais e 100 dólares na viagem. Pela primeira vez na vida trouxemos dinheiro de volta para a casa e não usamos o cartão de crédito.
Bom, passamos fome? Passamos. Mas foi uma viagem incrível mesmo assim.
No primeiro dia, a frase que resume nosso roteiro é "24.000 passos". Andamos como se não houvesse amanhã, por praticamente toda Buenos Aires.
Saímos do nosso hotel e passamos pela Calle Florida, pelo Teatro Colón, fomos até a faculdade de medicina de Buenos Aires, na UBA e chegamos até o cemitério da Recoleta, que aliás é uma região linda. Terminamos o roteiro no Museu de Belas Artes, que aliás é gratuito e lindo. Descobrimos que o Rodin tem toda uma história super especial com Buenos Aires.
Ainda naquele dia voltamos para o centro da cidade, mas daí já de metro, pois as pernas não funcionavam mais. Paramos no Centro Cultural Kirchner onde assistimos a Orquestra Sinfônica de Buenos Aires. Uma coisa bacana de contar é que essa atração era gratuita. Ficamos muito contentes de fazer um programa cultural de altíssimo nível por um total de zero pesos. O prédio do centro cultural é muito bonito e tinha MUITA gente lá. Uma fila de caracol para ver a Orquestra Sinfônica, o que nos deixou felizes, pois é muito importante prestigiar esse tipo de coisa. Uma anedota desse passeio é que as pessoas estavam batendo palmas no momento errado. Aqui no Brasil, quando fomos ver orquestras no teatro eles explicam o momento certo de bater palmas, mas lá não. Tinha uma velhinha sentada do lado da Van que estava incomodada com isso e a única vez que nós resolvemos ir com a galera e bater palmas também ela passou o maior sermão na Van dizendo que estava errado bater palmas.
Mas antes disso comemos um hamburguer no Hard Rock Café em Puerto Madero, rigorosamente dentro do nosso Budget.
Queria contar um pouco da UBA. Eu amei conhecer a UBA. Descobrimos com a nossa amiga aninha que o "brasileiro típico" de Buenos Aires é o estudante de medicina. Na UBA conhecemos uma moça que estava na barraquinha de um movimento de esquerda. Conversamos com ela e trocamos algumas ideias em portunhol sobre o Milei e o Bolsonaro. Interagir com os locais é algo que eu quero fazer mais nas próximas viagens ao exterior.
Bom, nos dias seguintes já tínhamos o passe do metrô, então já andamos um pouco menos, mas ainda assim tudo continuava muito empolgante, pois estávamos vivendo como os nativos, de transporte publico.
Nosso hotel tinha o café da manhã bem mequetrefe mas as acomodações eram boas, então a verdade é que não temos do que reclamar. No terceiro ou quarto dia passamos a tomar café da manhã num café ali da esquina e isso contribuiu bastante para com a nossa qualidade de vida na viagem.
Faz dois meses a viagem então eu já estou meio esquecida do que aconteceu cada dia, então vou focar em contar as coisas que fizemos, não necessariamente em ordem cronológica.
Um dos maiores hits da nossa viagem foi visitar a Aninha. Encontramos ela para uma pizza no seu apartamento, junto com Rodrigo e Malu. Tomamos duas garrafas de vinho, rimos muito, falamos muito sobre a vida na Argentina e sedimentamos uma constatação: os argentinos são legais. A Ana contou que foi muito bem recebida em BA e que todo argentino é meio pancada das ideias, mas muito amáveis, gentis e dispostos a ajudar.
Outro ponto alto da nossa viagem foi o Malba, museu que já tínhamos a intenção de visitas mas que o incentivo da Aninha com certeza nos ajudou a inclui-lo no roteiro, até mesmo porque é um museu pago, então tinha que valer muito a pena entrar lá.
E vale, porque é um museu lindo e foi nessa viagem que descobrimos que o Abaporu da Tarsila está exposto lá. É magnifico ver o Abaporu. A Ni nos perguntou qual foi a emoção e ver o Abaporu e eu sinceramente achei mais emocionante do que ver a Monalisa no Louvre. A van pontuou bem que é meio triste ver uma obra dessas em uma coleção particular. Então tem isso também, mas que é lindo, é lindo e a coleção do Malba de fato impressiona.
Nesse dia do Malba (eu acho) foi um dia em que decidimos que precisávamos de sustância, então fomos comer no Restaurante Dona Tota. Dona Tota é a mãe do Diego Maradona. O restaurante não é da família nem nada, mas foi batizado em homenagem à Dona Tota.
Alias, algumas curiosidades futebolisticas para o Futuro. O Messi está jogando no Inter de Miami e pelas ruas tem muitas camisas rosas do Inter de Miami com o nome dele. O meme do Messi "Qué mirás, bobo. Andá p'allá" está em todos os lugares. Eu fui atrás de saber a origem desse meme e descobri que ela foi proferida pelo Messi durante uma coletiva após as quartas de final da copa do mundo (a do tri da argentina). A Argentina ganhou nos pênaltis em um jogo tenso, em que o Wout Weghorst fez o gol que forçou a prorrogação e os pênaltis. Parece que o Weghorst estava olhando para o Messi na hora da entrevista em tom provocador.
Outra curiosidade futebolística é que cá no nosso tempo você não tem nenhuma esperança de entrar no estádio de nenhum time que tenha programa de sócio torcedor sem ser sócio torcedor. Isso é verdade para o Palmeiras e é verdade para o River também. Pensamos em ver o jogo do River mas cadê que tinha ingresso? Acabamos vendo o jogo com várias Quilms lá na Dona Tota mesmo.
Outra coisa interessante que aconteceu na viagem foi que nossa estadia lá aconteceu durante um curto oásis climático. Quando embarcamos em São Paulo, nos contaram que alguns voos tinham sido cancelados no dia anterior por más condições de tempo em BA. Chegando lá tivemos dias super ensolarados e tranquilos. No dia do nosso retorno, a caminho do Aeroparque, pegamos a primeira chuva de toda a viagem. Voamos normalmente e no dia seguinte ao da nossa chegada descobrimos que tinha voltado a chover bicas em BA.
No nosso último dia fizemos um pique mais tranquilo, mas deu tempo de dar um passeio. Fomos até a catedral metropoliana de BA, aquela onde as mães da praça de maio ficavam. A maior curiosidade sobre a catedral é que ela não parece uma catedral, pois não tem uma arquitetura típica de ingreja. Mas é linda por dentro e descobrimos que nosso querido papa chiquinho pregava lá. Eu fiz o tour pela catedral e aprendi coisas bem legais. Enquanto eu fazia o passeio a van ficou meditando e pedindo coisas boas para o papai do céu. Nessa viagem inclusive eu atualizei minha tradição em igrejas: eu aprendi com a mãe que em cada igreja nova que a gente vai, a gente tem direito a três pedidos. Eu resolvi que vou mudar os 3 pedidos para 3 agradecimentos, de modo que as coisas boas que já temos em nossa vida possam ser reforçadas. Achei que ficou bem bom.
Essa foi nossa viagem para BA, uma viagem em que economizamos muito e nos divertimos muito também. Saímos de lá com muita vontade de voltar, como deve ser sempre que se visita uma cidade maravilhosa como essa. Missão dada é missão cumprida parceiro.





























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