#Lua de Mel - Forza Roma!
São 14h24 de uma bela quarta-feira em 2023 e fiquei com vontade de escrever no Blog. O paciente das 14h faltou e o de 14h40 ainda não chegou. Será que dá tempo de escrever algo legal? Vou tentar!
Ontem eu escutei um episódio de podcast muito legal, chama-se "Linha do tempo". É o episódio da semana de um podcast chamado "Radio Novelo Apresenta", um podcast da Piauí que eu nunca tinha ouvido e que tem a excelente apresentação da Branca Viana. Já virei fã.
O episódio em questão narra três histórias de viagem no tempo. A primeira delas é a de uma moça, de trinta e poucos anos, cujo pai redige cadernos sobre e vida dela desde o dia em que ela nasceu. Então se ela quiser saber o que que estava rolando no dia 17 de outubro de 1997 por exemplo, é só ir lá no caderno do pai dela e ler a respeito. A equipe do podcast entrevistou o pai desta moça e ele contou que tudo começou quando ele morava em Paris, na década de 70 e teve o primeiro filho. Veio a ideia de registrar os primeiros 30 dias da criança. Ele gostou tanto de fazer o caderno que os primeiro 30 dias viraram os primeiros 6 meses. Em algum momento entre os 30 dias e os seis meses, eles passaram com uma médica que disse que as crianças não lembram de quase nada até os 7 anos, então ele resolveu que o caderno iria ate os sete anos.
Assim foi com os quatro filhos. Como ele foi tendo filhos sucessivos ele nunca parou de escrever nos cadernos. Quando ele chegou no sétimo ano da filha mas nova, a família já estava tão habituada aos cadernos que insistiu muito para o pai não parar de escrever. Assim, o pai começou a escrever os cadernos da família e vem escrevendo desde então.
Eu fiquei pensando em como essa história é legal e em como essa família se diverte em torno desses cadernos. Fiquei pensando como esse blog é parecido com isso.
Animada desde ontem que estou com essa coisa de registrar a vida, para poder depois viajar no tempo, sentei aqui com a intenção de escrever sobre nossa última viagem para Joanópolis semana passada. Mas não encontrei as fotos de Joanópolis no google fotos. No lugar disso me vi revendo nossas fotos de Roma, na lua de mel e lembrei que faz parte deste projeto aqui escrever sobre todas as nossas viagens, mesmo as que ja se passaram.
Eu a Van nos casamos no dia 04/03/2019, plena segunda feira de carnaval. Foi cerca de um ano, talvez um pouquinho mais planejando a festa, mas eu confesso que sempre que minha mente voava em direção ao casamento vindouro ela aterrissava direto nas 48h seguintes, quando estaríamos no aeroporto, nos preparando para embarcar para a lua de mel.
Festas de casamento são engraçadas, porque sempre tem as marcas de cada um, as coisas que cada um faz questão. Por exemplo, minha mãe sempre conta que meu pai morreu de orgulho a vida toda por ter servido whisky a noite inteira na festa deles. Sempre que ele ia em algum casamento ele dizia "no nosso, teve whisky a noite toda". Uma das coisas que eu fiz muita questão, desde a hora zero em que decidimos nos casar, foi a lua de mel. Orgulhosamente, assumo que eu fui responsável pela concepção do roteiro e por toda a botação de pilha para irmos mesmo. Nosso roteiro seria Roma, Florença, Veneza e Paris. Ah, Paris. Nós também sempre teríamos Paris!
Eu concebi o roteiro, mas quem concebeu o recheio da viagem foi a van, pois foi ela quem disse que seria tudo muito mais legal se tivéssemos uma agência de viagens selecionando passeios legais para nós. A Van, na época, comentou que não era o tipo de turista que simplesmente saia andando a esmo, ela queria mais estrutura. Foi ai que conversamos com o Allan, dono de uma empresa de turismo em Miami, indicação de uma amiga e então colega de trabalho da Van.
E foi realmente ótimo contar com o Allan. Ele organizou tudo menos as passagens. As passagens a gente adquiriu por milhas, na LATAM no shopping Anália Franco. Que dia feliz, alias. Mas o Allan resolveu hospedagem em bons hotéis (exceto Florença), traslado de e para os aeroportos em todas as cidades (andamos de BMW pela primeira vez na vida) e passeios muito legais.
Vou contar um pouco hoje sobre Roma, nosso primeiro destino. Nós chegamos em Roma pela manhã. Descobrimos que nosso Hotel, que era muito bom, era pertinho do aeroporto, mas algo longe do centro da cidade.
No primeiro dia, tínhamos bem no começo da tarde o passeio no Coliseu, que aprendemos nessa viagem que se chama Colosseum, o grande colosso no coração do cidade representando o seu poderoso império na primavera da humanidade.
Quase perdemos o primeiro passeio, tivemos ate que dar uma corridinha para achar nosso grupo e nosso guia mas deu tudo certo. O coliseu não decepciona. Que lugar, que sensação estar lá dentro. O coliseu se chama também de Amphitheatrum Flavium, em homenagem a dinastia flaviana, dos imperadores que construíram o dito monumento entre 72 DC e 80 DC. Se você pensar que esse monumento eterno foi construido em oito anos e que ele era lindão quando ficou pronto, cheio de mármore, ouro e detalhes, você não acredita nas coisas que acontecem hoje em dia. A reforma do museu do ipiranga (2012 a 2022) demorou mais tempo.
Inacreditável também é imaginar que o coliseu era inundado para batalhas navais e conseguia ser drenado a ponto de ser usado para "jogos secos" em outro turno. Você vê a drenagem dos campos de futebol hoje em dia e também desacredita.
Depois do Coliseu, saímos andando com o mesmo grupo e guia para o Foro Romano. Eu não sabia o que era o Foro Romano, descobri nesse viagem. Foi em algum momento andando pelo Foro que eu percebi que o nosso guia fazia uma boa salada entre fatos históricos e mitologia. Não sei sei se todos perceberam pq pareciam ouvir meio sem filtro, mas realmente o papel dele era entreter e não dar aula de história.
Eu confesso que lembro mais do que aconteceu depois que a gente saiu do Foro Romano do que lá dentro, até mesmo porque o que rolou na saída mora no nosso coração para todo o sempre: encontramos um excelente restaurante, bem na saída do foro.
Mas o Coliseu, o foro e as deliciosas bruschetas bem acompanhadas do Pinot, eram apenas o começo. Roma tinha muito mais para nós.
Conhecemos o Vaticano. Não vimos o Papa. Fizemos muitas piadas sobre contar para o Papa que éramos casadas e ver se ele tinha as manhas de nos dar uma benção papal, mas não foi dessa vez.
Pausa para uma anedota: estou aqui doida, procurando nossas fotos na capela sistina, "meu deus, onde estão nossas fotos na capela sistina" e acabei de me lembrar que não temos foto nenhuma na capela sistina porque era proibido foto lá dentro. Essa parte ficou só na memória mesmo.
Por indicação do Dackinho, conhecemos também o Alfredo, o restaurante responsável por inventar o fetuccini alfredo. Lá descobrimos que existe na Itália o dia do fetuccini alfredo (aqui no Brasil também temos o dia do macarrão, a Dilma foi quem sancionou). Tinha fotos de umas pessoas distribuindo fetuccini alfredo na rua, naquela praça em frente ao Vaticano. Eu acredito que tenha sido também nesse jantar que a gente descobriu que os italianos acham nosso hábito de misturar massa com carne literalmente nojento. Mesmo. Eles não entendem. O garçom ficou horrorizado.
Roma é também responsável pela coisa mais linda que eu vi na vida: a Fontana Di Trevi. Nós conhecemos a Fontana em um tour noturno, que nós fizemos. O tour incluía uma caminhada pelo centro velho de Roma junto com o guia, um jantar e depois um pouco mais de caminhada rumo à Fontana e o Panteon.
Nesse passeio conhecemos uma brasileira, que estava no mesmo passeio. Muito simpática, jantamos juntas.
A Vanessa avalia que esse passeio foi "uma festa estranha com gente esquisita", porque o nosso guia era mesmo meio doidão. Mas eu gostei muito.
Outro programa inesquecível que fizemos o que dá nome a esta postagem. Roma x Empoli, no estádio da Roma.
Esse foi um passeio que também adquirimos com o Allan e também foi idéia da Van. A idéia, a princípio, era ir ver o Cristiano Ronaldo em um jogo da Champions. Na época ele era o melhor do Mundo e jogava na Juventus. Então seria tipo um sonho ver o melhor jogador do mundo jogar. O problema foi a realidade de que o ingresso para um jogo da champions custava mil dolares por cabeça. Tentamos o campeonato italiano, mas a juve ja tinha vendido todos os ingressos da temporada, muito provavelmente pq não éramos as únicas pessoas interessadas em ver o Cristiano Ronaldo. Hoje Cristiano Ronaldo joga nas Arábias e passa por maus momentos por lá.
Acabamos, então, assistindo Roma x Empoli, pela Série A, jogo do campeonato italiano. Nessa época, nós ainda não tinhamos iniciado essa vida de ir em todos os jogos do Palmeiras, viver em estádio etc. Eu nem me interessava muito, inclusive, acho que mal acompanhava o Palmeiras. Então foi muito legal a Van ter tido essa sacada de que seria muito legal ir, pois hoje é um relíquia no museu das memórias, foi uma noite mesmo inesquecível.
Não lembro como chegamos no estádio, mas ainda tenho bem viva a sensação daquela caminhada nas imediações do estádio, rumo à entrada. Essa coisa de andar na rua à noite, num dia frio, com o ar gelado no rosto, isso é um prazer muito peculiar para mim. Eu lembro o dia em que esse prazer nasceu: no COBEM Gramado, lá pelos idos de 2006 ou 2007. Fiz um passeio com a Bruna numa noite fria dessas e conversamos a respeito de como isso é bom.
Nos andamos bastante, foi uma pernada boa. Alias, existe um filme que assistimos recentemente, que se chama "Ultras" que conta a historia das torcidas organizadas da Itália e em uma cena do filme aparece os personagens caminhando pelas imediações do estádio da Roma. Nós fizemos o mesmo percurso.
No caminho encontramos uma barraquinha que vendia camisas e outros itens do Roma. Compramos uma camisa cada, gorrinho e cachecol. Uma coisa importante desse dia foi que estava até então um clima super ameno na Itália, bem São Paulo, então estávamos com roupas finas que levamos daqui. Mas nesse dia passamos muito frio, mas muito mesmo, principalmente na volta para o Hotel, pois demorarmos bastante para encontrar um taxi. Chegando em Florença, nosso próximo destino, a primeira coisa que fizemos foi ir comprar casacos.
Roma terminou com nossa ida para a estação de trens, destino a Florença. Descobrimos que a malha ferroviária da Itália é muito boa, é possível ir a qualquer das principais cidades de trem. Ficou a ideia de fazermos essa viagem um dia, a Itália de trem.
Bom, assim termina nosso passeio pela cidade eterna e termina também essa nossa viagem no tempo, iniciada na tarde de quarta feira, 10 de Maio de 2023 e encerrada no domingo, 14 de Maio de 2023, as 14h01, dia das mães. É hora de fazer almoço por aqui e ligar para as mães para desejar um bom dia para elas. Uma amenidade sobre Roma que tem tudo a ver com o dia de hoje: Quando viajamos em lua de mel deixamos a mãe encarregada de cuidar dos nossos gatinhos. Uma das tarefas dela era ligar o carro de tempos em tempos para não arriar a bateria. Ela cumpriu a tarefa com louvor. Mãe é mãe.
Fiquei pensando quantos túneis do tempo atravessamos durante esta postagem. Quatro dias de escrita dentro de uma semana atribulada. Dois mil anos desde que descemos de um avião em 2019 até 80 D.C nas ruínas do Coliseu. De uma vida pós pandêmica em 2023, para uma vida pré pandêmica em 2019, onde tudo que se passou não poderia sequer ser concebido. E ainda por cima, nesse meio tempo, a Jojô, que estava na barriga da Rita na nossa última postagem, nasceu. Bem-vinda Jojô. Nunca se esqueça de que a vida é massa, com uma boa pasta italiana. A gente só precisa caprichar no molho.






Comentários
Postar um comentário