#2023/1 - Em Itumbiara, entrando em Goiás...
Deixamos Barretos depois do café da manhã e seguimos viagem. Depois de algumas horas finalmente saímos do estado de São Paulo e fizemos nossa primeira parada para passeios e almoço: Uberaba-MG.
O túmulo do Chico Xavier é muito bonito, mas simples, sem pirotecnia nenhuma. É um túmulo grande de cemitério. Tem diversas frase dele e alguns objetos que o referenciam. Havíamos tentando visitar o memorial mais cedo, porém ele estava fechado. Felizmente os pontos turísticos de Uberaba são bem sinalizados e conseguimos chegar ao túmulo.
Uma curiosidade é que a Vanessa gosta muito de cemitérios, acha bonitas as construções. Nas suas palavras "nada mais justo do que a pessoa continuar morando bem depois que morre". E realmente o cemitério de Uberaba tem alguns túmulos bem grandes e antigos, com dizeres interessantes que nos fazem pensar nas histórias das pessoas que ali estão. Um exemplo é a foto que tiramos de um túmulo, de um homem que morreu bem jovem no começo do século. Deixou pais e uma desolada viúva, tudo registrado na lápide final.
Fiquei muito interessada em saber o que aconteceu com o Sigismundo Mendes, que faleceu jovem, aos 36 anos em 1918. Primeira coisa que me ocorreu: será que ele morreu da gripe espanhola? Fui pesquisar na internet e infelizmente descobri pouca coisa. Descobri que existe uma rua em Uberaba que se chama Sigismundo Mendes, em homenagem e ele mesmo, lembrando o "nome do vereador e grande industrial uberabense, Segismundo Mendes dos Santos, falecido a 30 de outubro de 1918" (Fonte: Site Uberaba em Fotos). Nesse mesmo site eles explicam as ruas que deram origem à rua Sigismundo Mendes e explica que havia um trecho ali com casas que foram todas construídas pelo coronel Eliezer Mendes dos Santos, pai do Sigismundo. O Site finaliza contando que "(...) as ruas ‘Doutor Lauro Borges’ e ‘Nova,’ reunidas numa só, receberam o nome de Segismundo Mendes, filho daquele coronel".
Consegui descobrir também em uma tese de doutorado sobre o Coronelismo Despótico em Uberaba (Link aqui) o nome da mãe do Sigismundo: Augusta Cândida de Castro. Interessante nessa tese, é que o autor está explicando o papel do casamento dentro da própria parentela como mecanismo de manter a herança "na família" e ai cita o casamento da irmã do Sigismundo "filha do coronel Eliezer Mendes dos Santos e Augusta Cândida de Castro" com um primo. Consegui então esclarecer quem eram os "paes" saudosos.
Mas só. Não descobri quem foi a desolada esposa que lhe deu o derradeiro beijo, imortalizado na lápide. Também não descobrir como morreu, nem nenhum feito seu em vida, para além de ser sido vereador e filho de seu pai e de sua mãe, finas flores da sociedade Uberabense.
Depois do cemitério seguimos para o Museu dos Dinossauros em Peirópolis. No museu do dinossauro, vimos ossos de alguns tipos diferentes de dinossauros, com destaque para o Titanossauro e para o Uberabasuchus terrificus, que significa "o terrível crocodilo de Uberaba". O que mais me chamou a atenção em relação às ossadas foi uma vértebra lombar de titanossauro. É enorme, do tamanho de um gato doméstico, o que dá uma boa noção do tamanho do bicho. Outra coisa muito legal que aprendemos no Museu foi que Uberaba é a única região do Brasil onde foram descobertos ovos de dinossauro intactos. Acredita-se que a região era um grande ninho, pois além dos ovos intactos existem restos de muitas cascas quebradas.
Almoçamos no próprio museu, que conta com diversos restaurantes. Comida justa, preço justo, música ao vivo boa. Na hora de ir embora cruzamos com quatro gracinhas: quatro cãezinhos sapecas que estavam explorando o lugar. Um deles gostou muito da gente, foi a maior dificuldade deixar aquela coisinha linda para trás.
Hora de pegar a estrada. Seguimos rumo ao nosso destino.
Dirigimos a tarde toda, sempre na trilha sonora da viagem que foi 100% sertanejo. No final da tarde, pertinho de anoitecer cruzamos mais uma fronteira: chegamos em Itumbiara-GO.
Itumbiara é a primeira cidade de Goiás e fica às margens do Rio Paranaíba. Se você esta perto do rio na margem goiana, ao olhar para o outro lado você vê Minas e vice versa.
Ficamos hospedadas no Hotel Beira Rio, bem às margens do Paranaíba. O hotel é muito bom, uma estrutura redonda grande muito boa, com quartos com sacada que permitem ver o rio e a cidade. Uma pena que a orla do rio não é iluminada, então à noite não se vê muita coisa, mas em compensação tivemos vista para a ponte da estrada, bastante movimentada pelos viajantes tanto de dia quanto de noite.
Depois de um curto passeio pela cidade partimos. Pelo caminho além de muitas paisagens rurais com vaquinhas e soja para todo lado, vimos algumas cidadezinhas simpáticas. Destaque para Água Limpa, uma gracinha de cidade. O que vimos em Água Limpa? O de sempre. A pracinha, a igreja, a prefeitura, mas tudo uma lindeza.
Terminamos esse dia de viagens em Caldas Novas, nosso primeiro pouso prolongado do roteiro. Nos hospedamos no Hotel Parque das Primaveras, um hotel muito bonito, cheio de verde e animaizinhos (de Araras a Macaquinhos, passando por gatinhos e muitos, mas muitos mosquitos). Ficamos lá por longos quatro dias de descanso, nadando nas aguas termais e jogando buraco (ou canastra ou biriba, que nesta viagem descobrimos serem todos sinônimos do mesmo jogo inventado pelos uruguaios na década de 40).
Depois de Caldas Novas seguimos para Brasília, mas não sem antes passar pela linda Goiânia, com suas ruas numeradas que não fazem sentido. Mas isso é assunto para outra postagem. O importante, para finalizar, é que Goiânia encerra o trecho musicado das nossas férias. Se "De São Paulo à Belém" retrata com impressionante exatidão nosso primeiro dia de férias, "Rumo à Goiânia" de Leandro e Leonardo é o "hit premonição" do que se seguiu:
É noite, o carro está rugindo, parecendo fera
Voando baixo em Campinas, na Via Anhanguera
Já estou vendo ao longe a linda e doce Ribeirão
Toda iluminada feito um céu no chão
Na noite azulada de uma primavera
A saudade já não cabe no meu coração
Grudada como faz na estrada os pneus no chão
Uberaba e Uberlândia já deixei pra trás
Em Itumbiara, entrando em Goiás
Quase que eu decolo feito um avião
Ei, Goiânia
Não deu pra segurar a barra, então eu voltei
Ei Goiânia
Avisa aqueles olhos lindos que eu já cheguei
Esses olhos reluzentes que eu busco agora
Se me chamam com desejo, pra mim não tem hora
É por isso que eu ando em alta rotação
Feito um asteroide na escuridão
O motor do carro parece que chora
O sol agora está nascendo, está chegando o dia
Mas sei que valeu a pena tanta correria
Eu quero estar nos braços dela daqui a pouquinho
Pois, passei a noite voando sozinho
Dentro desse carro pela rodovia
Ei, Goiânia
Não deu pra segurar a barra, então eu voltei
Ei, Goiânia!
Avisa aqueles olhos lindos que eu já cheguei
Ei, Goiânia
Não deu pra segurar a barra, então eu voltei
Ei, Goiânia!
Avisa aqueles olhos lindos que eu já cheguei
Ei, Goiânia
Não deu pra segurar a barra, então eu voltei
Ei, Goiânia!
Avisa aqueles olhos lindos que eu já cheguei


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